Meta enfrenta novo processo por suposto lucro com anúncios fraudulentos

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A Federação do Consumidor da América (CFA) entrou com uma ação judicial contra a Meta, alegando que o gigante da mídia social não conseguiu evitar anúncios fraudulentos no Facebook e no Instagram, violando assim as leis de proteção ao consumidor em Washington, D.C.

O processo marca uma escalada significativa na crescente pressão legal contra a Meta em relação ao seu papel na economia digital fraudulenta. Ao contrário de muitos crimes cibernéticos que dependem de mensagens diretas ou phishing, esta ação legal se concentra na proliferação sistêmica de anúncios fraudulentos que a Meta supostamente permite que sejam veiculados em suas plataformas para obter lucro.

As principais alegações: lucro com fraude

O CFA argumenta que o ecossistema publicitário da Meta se tornou um terreno fértil para golpistas. De acordo com a denúncia, a Meta continuou a hospedar e lucrar com anúncios que usam táticas enganosas para atingir usuários vulneráveis.

Exemplos específicos identificados na própria biblioteca de anúncios do Meta incluem:
Golpes financeiros: Anúncios direcionados a usuários por ano de nascimento, prometendo “cheques de estímulo” de US$ 1.400.
Personificação do governo: Anúncios que afirmam oferecer “iPhones governamentais gratuitos”.
Fraude de investimento: anúncios de “verificação fiscal secreta” que redirecionam os usuários para sites que promovem estratégias de investimento “à prova de recessão”.

Ben Winters, diretor de IA e privacidade de dados do CFA, observou que esses anúncios são facilmente detectáveis ​​por meio de pesquisas simples por palavras-chave, como “telefone grátis” ou “verificação de estímulo”, sugerindo que as ferramentas de moderação da plataforma não estão conseguindo capturar maus atores óbvios.

Um padrão de negligência?

O processo não existe no vácuo; segue-se a uma série de relatórios e investigações que sugerem que Meta pode estar ciente da escala do problema.

“É mais fácil anunciar golpes nas plataformas Meta do que no Google.” — Análise interna do Meta citada pela Reuters

Descobertas recentes pintaram um quadro preocupante da consciência interna da empresa:
Receita de golpes: Um documento interno da Meta de 2024 estimou que aproximadamente 10,1% da receita da empresa — cerca de US$ 16 bilhões — veio de anúncios que na verdade eram golpes ou conteúdo proibido. Para colocar isto em contexto, o FBI estimou que as perdas totais nos EUA com todos os crimes na Internet em 2024 também foram de cerca de 16 mil milhões de dólares.
Domínio do mercado em fraudes: Uma apresentação interna de maio de 2025 estimou que as plataformas da Meta estavam envolvidas em um terço de todos os golpes bem-sucedidos nos Estados Unidos.
Supervisão ineficaz: Uma coalizão bipartidária de procuradores-gerais do estado alertou anteriormente a Meta de que suas soluções atuais estão falhando, observando que os anúncios fraudulentos geralmente persistem por meses, mesmo depois de serem denunciados.

O cenário jurídico e a “lacuna de proteção”

Meta está atualmente enfrentando uma batalha legal em várias frentes. Além do processo da CFA, o procurador-geral das Ilhas Virgens dos EUA está investigando um caso alegando que a Meta não apenas não conseguiu impedir os golpes, mas na verdade cobrou taxas mais altas de anunciantes sinalizados como potencialmente fraudulentos.

A decisão do CFA de processar destaca uma frustração crescente com a velocidade da regulamentação governamental. Embora os procuradores-gerais estaduais e as agências federais tenham o poder de agir, muitas vezes eles agem lentamente. Ben Winters sugere que as organizações sem fins lucrativos devem intervir para “preencher as lacunas” quando o sistema jurídico não consegue fornecer alívio imediato aos consumidores visados ​​em tempo real.

O CFA busca dois resultados principais:
1. A recuperação de danos e “lucros ilegais” obtidos com anúncios fraudulentos.
2. Reformas empresariais obrigatórias para melhorar a forma como o Meta examina e remove infratores reincidentes.


Conclusão: Este processo sublinha uma tensão crítica na era digital: se os gigantes das redes sociais têm a responsabilidade legal de policiar os seus ecossistemas publicitários ou se são apenas anfitriões passivos que lucram com o caos da Internet.