O Paradoxo AC da Europa: Ar Frio, Problema Quente

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As persianas estão bem fechadas. O calor pressiona o vidro. Você quer respirar, mas o ar se recusa a se mover.

Junho de 2024 foi brutal. As temperaturas na França dispararam para mais de 40 graus Celsius. As pessoas não queriam apenas refrigeração, elas precisavam dela. Os compradores literalmente invadiram as lojas. Os ventiladores portáteis desapareceram. Unidades de AC foram arrebatadas em minutos.

Essa compra de pânico não será uma anomalia.

O planeta está ficando mais quente. A Agência Internacional de Energia prevê uma mudança massiva até 2050: dois terços dos agregados familiares a nível mundial poderão possuir ar condicionado. Europa? É acordar tarde. Neste momento, apenas cerca de 20% dos europeus têm ar condicionado em casa. O Reino Unido fica atrás com apenas 4%. Compare isso com os EUA, onde 90% das casas são refrigeradas, alimentadas por eletricidade muito barata.

Mas o debate sobre AC na Europa não é apenas sobre temperatura. É um porrete político.

Marine Le Pen prometeu AC universal para a França. Os conservadores britânicos prometeram eliminar as regras de zero emissões líquidas que restringem o resfriamento em novas construções. Então você tem a esquerda argumentando que o AC é um luxo para os ricos. Eles alertam para uma armadilha energética “ao estilo americano”, onde queimamos mais energia para escapar do calor causado pela queima de mais energia.

Parece cínico? Talvez. Mas o calor mata.

Só em 2019, a AC evitou quase 200, ou seja, 200 mortes prematuras em pessoas com mais de 65 anos. Isso é sobrevivência. A Europa está a aquecer mais rapidamente do que qualquer continente da Terra. Noruega, Finlândia, Reino Unido? Esses lugares com verões “amenos” enfrentam ondas de calor extremas que parecem estranhas.

“Precisaremos de mais refrigeração para proteger as pessoas”, diz Nicole Miranda, professora em Oxford. “Mas não comprando ACs portáteis ineficientes em pânico.”

As habitações atuais foram projetadas para reter o calor do inverno. Numa onda de calor no verão, essas mesmas casas se transformam em fornos. O Comité das Alterações Climáticas alerta que, até 2050, mais de 90% das casas no Reino Unido poderão sobreaquecer durante períodos severos. Truques antigos – paredes grossas, janelas pequenas, venezianas – estão falhando. Eles não conseguem bloquear o sol o suficiente.

Então ligamos o AC.

Aqui está o segredo sujo.

A máquina que mantém você fresco está aquecendo o planeta. Os ACs são responsáveis ​​por 3% dos gases de efeito estufa globais. Mais do que aviação. Se instalarmos mais unidades conforme previsto, a procura de electricidade para refrigeração poderá triplicar até 2055.

Solar ajuda. Mas a tecnologia principal? Está preso no passado.

ACs convencionais bombeiam refrigerantes. Muitos destes produtos químicos – gases fluorados – são milhares de vezes piores para a atmosfera do que o CO2. A UE os proibiu em 2024. Boa sorte para substituí-los. Propano queima. A amônia envenena você. É uma má escolha de produtos químicos.

Digite: resfriamento de estado sólido.

Esqueça o gás. Pense em metal. Pense no magnetismo. Pense em física.

Paul Motzki, da Saarland University, está trabalhando em ligas de níquel-titânio. Estique o metal. Solte-o. Ele se encaixa e absorve o calor. Não é necessário gás. Sem canos com vazamento. Apenas uma sala legal. Motzki acredita que isso poderia reduzir a temperatura ambiente em 5 a 1°C com mais eficiência do que as máquinas volumosas de hoje.

Outros estão tentando ângulos diferentes:
Mimic Systems usa semicondutores para empurrar o calor através das paredes dos apartamentos.
Magnotherm usa campos magnéticos (começando com geladeiras).
Barocal em Cambridge esmaga cristais de plástico para liberar calor. Eles arrecadaram US$ 10 milhões recentemente.

Este é o futuro?

“A Europa está na vanguarda”, diz Motzki. “Mas precisamos de capital.”

Lindsay Rasmussen da Third Derivative concorda. A tecnologia é promissora. É cedo. Não comprovado em escala. Ela compara isso à energia solar. A pesquisa começa na Europa. A comercialização acontece nos EUA. A fabricação em massa acontece na Ásia.

Onde vai parar o resfriamento de estado sólido? Provavelmente na Ásia, adquiridos por gigantes como Samsung ou Daikin, que observam esses laboratórios como falcões.

O primeiro dia está chegando. Os preços das unidades de janela cairão. Compre-os se quiser.

Mas instalar mais ar condicionado não resolverá o problema de aquecimento da Europa. Nossas cidades são caixas de concreto. Precisamos resfriar as caixas, não apenas os cômodos dentro delas.

Miranda e a IEA defendem uma “hierarquia de resfriamento”:
1. Mantenha primeiro o calor afastado (árvores, sombra, tinta reflexiva).
2. Ventile naturalmente.
3. Use AC apenas onde for crítico (hospitais, escolas, cuidados a idosos).

Paris fez isso antes das Olimpíadas de 2024. Eles canalizaram água fria do rio para o subsolo para resfriar edifícios públicos. Inteligente. Eficiente. Local.

Os decisores políticos estão a começar a perceber que temos de nos adaptar. As ondas de calor estão ficando mais altas.

Podemos construir máquinas melhores. Podemos importar tecnologia do Oriente. Mas vamos plantar as árvores a tempo?

Essa parte depende de nós. E honestamente? Parece que já estamos atrasados.